sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Comportamento de componentes bioquímicos do sangue em equinos submetidos à ozonioterapia





O comportamento de constituintes bioquímicos sanguíneos (glicose, fibrinogênio, creatina fosfoquinase e gama-glutamiltransferase) foi monitorado, in vivo, em 12 equinos mestiços (seis machos e seis fêmeas), com idade entre 4 e 20 anos, submetidos à ozonioterapia. O tratamento foi realizado mediante administração de 500 ou 1000mL da mistura de oxigênio-ozônio (O2-O3) por via intravenosa, a cada três dias, durante 24 dias. Os equinos foram distribuídos em quatro grupos: MT500 constituído por três machos tratados com 500mL; MT1000 por três machos tratados com 1000mL; FT500, por três fêmeas tratadas com 500mL e FT1000, por três fêmeas tratadas com 1000mL. A ozonioterapia por via intravenosa não ocasionou alterações clínicas nos equinos. Os valores médios mínimos e máximos de glicose, fibrinogênio, creatina fosfoquinase e gama-glutamiltransferase mantiveram-se dentro dos limites de referência para a espécie equina. Houve diminuição nas concentrações da glicose e gama-glutamiltransferase ao longo dos períodos de aplicação e aumento nos valores do fibrinogênio. A creatina fosfoquinase não sofreu efeito do tratamento.
Em nenhum momento do período experimental, os animais demonstraram incômodo ou alteração do comportamento durante a ozonioterapia. Além disso, apresentaram valores de variáveis físicas considerados de referência para a espécie. Os valores médios de temperatura corporal, frequência cardíaca e respiratória foram de 37,01°C, 34bpm e de 24 respirações/minuto, respectivamente. As mucosas permaneceram róseas e com aspecto úmido, e o tempo de enchimento capilar foi inferior a dois segundos.
As médias dos valores mínimos (77,75mg/dL) e máximos (102,75mg/dL) obtidos para a concentração de glicose durante a ozonioterapia encontraram-se dentro do intervalo considerado de referência (75-115mg/dL) para a espécie equina (Meyer et al., 1995; Kaneko et al., 1997). Observou-se decréscimo (P<0,05) na concentração da glicose (Fig. 1a) a partir da primeira aplicação do ozônio para os grupos MT500 e MT1000. A partir da quarta aplicação, os grupos experimentais MT1000 e FT500 apresentaram médias semelhantes (P>0,0027), enquanto MT500 e FT1000 apresentaram médias abaixo (P<0,0027) do LIC. No 10º período (Fig. 1a), os quatro grupos convergiram para valores próximos.
A redução da glicose pelo ozônio pode ser decorrente de glicólise, já mencionada por Bulies (1996) em humanos. Segundo Viebahn (1985), além da via glicolítica normal da hexoquinase, a transformação metabólica da glicose induzida pelo ozônio acontece por meio da via do ciclo das pentoses. Outro aspecto que pode ser mencionado é o aumento da atividade muscular, que, segundo Mutis-Barreto e Pérez-Jimenez (2005), resulta em glicólise ao induzir o trabalho muscular cardíaco.
A exposição de equinos sadios a 500 e 1000mL da mistura terapêutica de ozônio, mediante administração intravenosa, não acarreta alterações clínicas avaliadas por temperatura corporal, frequências cardíaca e respiratória, coloração das mucosas e tempo de enchimento capilar. A ozonioterapia diminui discretamente os valores de gama-glutamiltransferase, sendo de valor em animais submetidos a exercícios extenuantes. Entretanto, como a terapia por ozônio também ocasiona discreta diminuição na concentração da glicose, deve-se monitorar a glicemia nos animais durante a sua administração. A ozonioterapia aumenta discretamente os valores de fibrinogênio em equinos, podendo ter efeito benéfico nos processos cicatriciais. A creatina fosfoquinase não sofre efeito da ozonioterapia por via intravenosa.

Fonte : http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-09352009000300003 

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